Depoentes da CPI revelam negligência por parte da Clinicão nos serviços prestados
Nesta terça-feira (19), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o processo licitatório e a administração do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) pela empresa Clinicão recebeu uma segunda rodada de oitivas. Na ocasião, os sabatinados responderam questionamentos sobre a qualidade dos atendimentos e a capacidade de fiscalização dos serviços prestados pela empresa em Ponta Grossa.
Foram convocados: Aciane Grolli Carvalho, responsável pelo setor administrativo do CRAR; Anael Ruccieri Proença dos Santos, presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais; Bárbara Graciela Mauricio, médica veterinária e membro do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais; e Rodrigo Tozetto, médico veterinário e membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná. A médica veterinária da Prefeitura Municipal, Rafaela Stacechen também foi convocada, mas por motivos pessoais, não compareceu.
Atuação do Conselho e pedido de rescisão de contrato
Presidente da Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Anael Ruccieri Proença dos Santos, relatou que o conselho indicou, antes do início da atuação dos serviços da Clinicão, uma série de apontamentos na estrutura do CRAR que impediam o cumprimento dos 321 itens previstos no edital de serviço vencido pela Clinicão.
Outro ponto destacado pelo presidente do conselho, é a falta de capacidade de fiscalização do contrato por parte da prefeitura, que segundo ele, não acompanha presencialmente os procedimentos executados pela empresa, dependendo exclusivamente de relatórios produzidos unilateralmente por profissionais da Clinicão. “O Executivo hoje não tem nem certeza sobre o que está pagando, ou do serviço prestado, já que não possui uma fiscalização, presencial ou por câmeras, do que está sendo feito pela empresa. A fiscalização fica restrita a itens burocráticos do contrato, já que os relatórios são produzidos pelos funcionários da Clinicão”, expõe.
Questionado pela relatora da CPI, a vereadora Joce Canto (PP) sobre as 90 notificações enviadas à empresa, Anael afirmou que o conselho não tinha conhecimento, e que esse volume de notificações junto com as fiscalizações do conselho, justificam a rescisão do contrato com a Clinicão. “Por conta das denúncias feitas, pela falta de capacidade técnica e de qualidade dos serviços prestados, o conselho entende que já existem muitos elementos que corroboram para a rescisão do contrato, um pedido que inclusive já enviamos para o gabinete da prefeita”, revela.
Procedimentos de manejo inadequados
Integrante da comissão de fiscalização do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, a médica veterinária Bárbara Graciela Maurício relatou que em suas visitas à Ideal Vet (clínica subsidiária da Clinicão em Ponta Grossa), percebeu que a empresa não fazia um manejo correto, permitindo que animais com doenças infecto-contagiosas, ficassem próximos de outros animais saudáveis. “Lá nós percebemos que as baias eram muito pequenas e que não comportam, por exemplo, cães de grande porte. Além disso, cães e gatos ficavam no mesmo lugar”, conta.
Além disso, Bárbara expôs que muitos procedimentos sanitários não eram seguidos na clínica, destacando o mau cheiro persistente e a mistura de materiais sujos e já utilizados com materiais novos. “Algo que me chamou muito a atenção foi ver um frasco de propofol guardado todo sujo de sangue. Isso é um risco muito grande, inclusive para os funcionários da empresa”, destaca.
Violação do bem-estar animal
Rodrigo Tozetto, médico veterinário e membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná, conta que durante as visitas, viu animais alocados em caixas pequenas, utilizadas apenas para permanência de curto tempo, sem ração e sem água, revelando uma clara violação do bem-estar animal. Rodrigo destaca ainda que a empresa também negligencia o fornecimento dos prontuários médicos dos animais, prejudicando futuros atendimentos em outras clínicas. “O fornecimento dos prontuários tem um prazo máximo 5 dias, e isso não tem acontecido. Isso é muito grave, já que isso prejudica o trabalho de outros profissionais que possam vir cuidar desse mesmo animal", pondera.