Síntese Histórica de Ponta Grossa

por cmpg — última modificação 12/11/2019 14h44

Parte I

Um ano e sete dias após a Independência do Brasil, Dom Pedro I assinava o Decreto Imperial criando a Freguesia de Ponta Grossa, "atendendo ao que por consulta do VOTO DE CONSCIÊNCIA e ordem subiu à Sua Presença, havendo por bem que a nova freguesia a rogo de Nossa Senhora de Sant' Ana, num lugar vizinho da Capela das Telhas, dita Ponta Grossa, distrito de Castro, Bispado de São Paulo, seja desmembrada desta última vila".

A 15 de setembro de 1823 nascia Ponta Grossa, oficialmente.

A povoação tinha origem nas sesmarias concedidas ao capitão-mor José de Góes e Morais, filho do famoso paulista Pedro Taques, e ao Coronel Domingos Teixeira de Azevedo, pai do célebre historiador Frei Gaspar da Madre de Deus, em 1713. Doadas aos jesuítas, os "homens de Deus" estabeleceram as Fazendas de Santa Bárbara de Pitangui e de Sant'Ana de Itaiacoca. Expulsos em virtude da lei do Marquês do Pombal, os jesuítas viram o futuro território pontagrossense subdividir-se em numerosas propriedades rurais.

A feira de Sorocaba atraía os negociantes de tropas do extremo Sul do País. Ponta Grossa era ponto obrigatório de passagem e de pouso. A Casa de Telha, na atual Vila Vilela, era um telheiro para melhor abrigo dos tropeiros e para dos ofícios religiosos. No alto do espigão, uma enorme figueira silvestre deitava seus galhos sob os quais alguém fincara uma cruz de cedro.

O crescimento da esparsa população e as dificuldades da realização dos ofícios religiosos, além dos atos oficiais dependentes de Castro, incitavam as pessoas a se reunirem em povoado e conseguir autonomia.

Eram moradores das proximidades o sargento-mor Miguel da Rocha Carvalhais, os senhores Domingos Ferreira Lobo, Benedito M. Ferreira Ribas, Antonio da Rocha Carvalhais, Domingos Ferreira Pinto, João da Silva Machado, Manoel Gonçalves Guimarães, Francisco José Dias de Almeida, José Leite de Azevedo, Joaquim Carneiro Lobo, Joaquim Gonçalves Guimarães, Hermógenes Carneiro Lobo, Francisco de Assis Ribas, entre outros.

Boa parte deles reuniu-se em casa de Domingos Ferreira Pinto para decidir a escolha da sede do futuro povoado. Era o dia 13 de julho de 1821.

Como houve muitas divergências na escolha, o sargento-mor Carvalhais propôs que fosse solto um casal de pombos a esmo - onde pousassem, seria a sede. E assim foi feito: os pombinhos, com um laço de fita encarnada nos pés, voaram em longas revoadas e foram pousar na cruz do cedro, sob a majestosa figueira silvestre, no alto do morro, onde está hoje a Catedral.

Parte II

Os esforços de Joaquim Carneiro Lobo, do coronel Luciano Carneiro e de João da Silva Machado (futuro barão de Antonina) conseguiram a graça imperial da criação de freguesia a 15 de setembro de 1823.

A freguesia contou com representação, na Câmara de Castro, de Atanagildo Pinto Martins, Cirino Borges de Macedo, Miguel da Rocha Carvalhais, José Ferreira Pinto, Lúcio Alves Martins Galvão, José Antunes Maciel, Joaquim Procópio de Souza Castro, Bento Ferreira da Rocha Carvalhais, Generoso Pinto Leal Taques, Jeremias Alves Carneiro, Inácio Manoel Ferreira, Domingos Ribeiro da Silva, Fortunato Justo dos Santos, Benedito Mariano Ribas e outros.

Já em 14 de janeiro de 1847, Inácio Manoel Ferreira requeria, em plenário, que a freguesia fosse elevada à condição de vila. Entretanto, somente em 1855, pela lei nº 54 de 7 de abril, o conselheiro Zacarias Góes de Vasconcelos tomava realidade essa aspiração do povo progressista da Princesa dos Campos. O seu crescimento possibilitou em 24 de março de 1862 a elevação à categoria de cidade.

Conhecida de início por Casa de Telha, mais tarde por Estrela, elevada à cidade com a denominação de Ponta Grossa, teve a sua denominação alterada para Pitangui, pela Lei nº 281 de 15 de abril de 1871. Predominou, entretanto, o nome de Ponta Grossa, que lhe foi dado novamente pela lei nº 309 de 5 de abril de 1872.

A comarca, pela lei nº 469 de 18 de abril de 1876, foi instalada a 16 de dezembro do mesmo ano. O município, criado pela Lei de 7 de abril de 1855, foi solenemente instalado a 6 de dezembro.

A 2 de março de 1894 foi inaugurado o tráfego ferroviário entre Ponta Grossa e Curitiba. Em 1896, iniciou-se a construção da linha férrea São Paulo - Rio Grande. Em 1912, o prefeito coronel Teodoro Batista Rosas iniciou os serviços da rede de água e esgotos.

Seus telégrafos foram inaugurados em 1881. O primeiro calçamento foi feito pelo prefeito coronel Ernesto Vilela, em 1903. A Higiene Municipal foi instituída a 14 de janeiro de 1910. A Casa de Misericórdia inaugurou-se em 1908. O Jóquei Clube foi criado vinte anos, em 1888.

 

Fonte: ("Diário dos Campos" de 15/09/1951)